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“A Medicina Muderna”
Como o mundo que nóis vevi se desenvorve sem cessá.
E hoje falei pro meu visinho que tava cum medo de ir no médico:
-Uai Zé, num tenha medo não que os aparei lá é tudinho elétro.
Mermo assim ele ficou duvidoso e começou a perguntá:
-Oxente cumpadi, e desde quando apareio pode curá?
Eu que num sou bobo, logo rispondi, antes dele me passar a perna:
-Ora ora cumpadi, tudo isso é obra da medicina muderna.
Lembrei ele de antigamente, quando parto só se tinha normal,
Nos dia de hoje é diferente, a muier faz até pré-natal.
-E oie lá meu cumpradi, isso num é tudo não,
Se ela perder muito sangue, tem a tar de transfusão.
Vi que ele tava ficando abestado e atraído pelas minha palavra,
Ai foi que comecei mermo a explicá como tudo funcionava:
-Oxi,tem máquina pra fazer tudo que é de exame, até do coração.
E caso, seus órgão teje ruim, ainda tem jeito através de doação.
-Ói Zé, você sabia que até pra feiúra eles tem solução meu cumpanhero?
Fazem crescer tudo que você imaginá, desde trazeiro até o seio.
- Mudam se deixar o rosto inteiro, a boca, a orelha, os oios e até o nariz,
Tudo pra aumentar a tar auto-estima e deixar o povo mais filiz.
-Hoje eu vi na televisão, uma modelo que se chamava Maria,
Mas que um dia, antes duma cirurgia, já foi chamada de João.
Fiz sinal da cruz e me perguntei até onde a medicina é capaz de nos mudar.
Desse jeito só Deus sabe onde diacho um dia nóis vai pará.
Cumpadi Zé perdeu o assombro de hospital antes de seguir sua direção,
Embora eu ache que ele tinha mermo era medo duma injeção.
E logo depois que ele foi embora, continuei a pensar profundamente:
-Eh...Com a tar de tecnologia, até que num existe mais tanta gente doente.
Oh amor! Como és belo e intenso.
Todos se amam em músicas e histórias românticas, sabia?
É verdade em muitas músicas algumas pessoas matam e morrem por amor, quando na realidade algumas pessoas matam e morrem por falta de amor.
O amor virou um ótimo negócio. Nas novelas enfrentam dificuldades, brigam se separam. Mas, depois lá vem o amor com todo o jeitinho e os envolvem, e acabam felizes como se nunca tivessem enfrentado problemas antes ou como se nunca fossem enfrentar.
Mas, quando se casam juram amor eterno.
- Amor? Você falou amor?
- Sim, amor.
Pelo menos era isso que deveriam fazer, porém, na primeira discussãozinha o amor sai de férias, férias essa prolongada.
Mas não se preocupe continuaremos a ouvir falar de amor em músicas, novelas e romances.
Quer ganhar dinheiro? Fale de amor, cante o amor!
Quer perder dinheiro? Demonstre amor!
Ainda há tempo
Mesmo que seja tarde,
Sigamos nossos sonhos,
Corramos contra o tempo.
Tenhamos objetivo.
Ainda que tarde,
Pensemos positivamente.
Acreditemos
Sigamos nossos sonhos
Ainda que pensemos:
O tempo passou.
Mas,
Tenhamos certeza, sempre
Ainda há tempo.
Autor : Ilamis Jordan, aluno da turma 222B, do IFAL-Pin !
JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
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